Na abertura da entrevista, Jô apresenta Naftali como um mineiro de Itajubá, de 81 anos, que trabalha como revendedor de bijuterias no Saara e que ganhou notoriedade por desfilar nas ruas vestido de papa João Paulo II; o próprio Naftali explica que a fantasia virou marca pessoal e atração no Carnaval carioca, algo que ele mantém com orgulho e bom humor. Ao longo do trecho exibido, ele fala sobre a origem dessa prática, lembrando que a figura do papa João Paulo II lhe inspira respeito e carinho, mas que a escolha do traje também tem um lado lúdico: transformar a rua em palco, provocar sorrisos e participar da festa popular com uma personagem que mistura o sagrado e o folclórico. A entrevista revela um homem que se diverte com sua própria imagem pública, que não se intimida com a idade e que encara o Carnaval como espaço de celebração coletiva e de afirmação de sua história pessoal.
No desenvolvimento da conversa, Naftali compartilha pequenas anedotas sobre as reações do público, a recepção calorosa de foliões e a curiosidade da imprensa, mostrando como sua figura se tornou símbolo de resistência à invisibilidade social que muitas vezes atinge trabalhadores informais e idosos nas grandes cidades. Ele diz, com humor, que sua idade mental é de doze anos, o que explica a disposição para a brincadeira e para manter a tradição ano após ano; essa declaração reforça a imagem de alguém que escolhe a alegria como forma de vida e de visibilidade. O tom da entrevista mistura leveza e dignidade: Jô explora tanto o aspecto cômico quanto o humano da história, permitindo que Naftali explique por que a fantasia não é apenas um disfarce, mas uma maneira de se conectar com as pessoas, preservar memórias e ocupar um espaço público com afeto e irreverência.
Ao encerrar, a conversa amplia a leitura do episódio para além do folclore pessoal, apontando para a força das pequenas performances cotidianas que constroem a paisagem cultural das cidades brasileiras; Naftali surge como exemplo de como identidades singulares podem ganhar significado coletivo quando compartilhadas em festas populares como o Carnaval. A entrevista funciona como retrato de um personagem que, ao vestir-se de papa João Paulo II, transforma uma fantasia em gesto social: ele provoca risos, desperta curiosidade e, sobretudo, reivindica o direito de existir publicamente com alegria e autonomia, deixando claro que sua presença nas ruas é tanto celebração quanto afirmação de dignidade pessoal.
