Genito inicia a entrevista situando o público sobre a Serra do Roncador como um território carregado de relatos históricos e místicos, e explica que o documentário nasceu da vontade de mapear esses relatos com olhar cinematográfico e investigativo. Ele descreve a Serra como palco de histórias que vão do folclore local às expedições internacionais, destacando o desaparecimento do coronel inglês Percy Harrison Fawcett em 1925, episódio que se tornou um dos grandes mistérios associados à região e que inspirou diversas obras de ficção e investigação; o documentário procura confrontar essas narrativas com depoimentos de pesquisadores, moradores e lideranças indígenas, buscando separar o que é lenda do que pode ser evidência arqueológica ou histórica.
Ao longo da conversa, Genito detalha o processo de produção: as viagens de campo, o contato com comunidades como os índios Xavantes, a coleta de depoimentos e a busca por vestígios que pudessem iluminar trajetórias pré-históricas no Araguaia. Ele comenta sobre a estética do filme — imagens da paisagem, tomadas aéreas e registros de campo — e sobre a escolha de alternar relatos científicos e relatos populares para construir uma narrativa que respeita tanto a memória local quanto a necessidade de rigor investigativo. O documentário, segundo o próprio cineasta, apresenta uma série de enigmas que vão desde marcas no terreno até relatos de vida intraterrestre e outras lendas que circulam na região, e busca oferecer ao espectador material suficiente para formar sua própria opinião sobre o que é mito e o que merece investigação mais aprofundada.
No encerramento da entrevista, Genito reflete sobre a repercussão do filme e sobre o convite para levar o tema ao grande público por meio do Programa do Jô, ressaltando que a exibição em televisão e plataformas amplia o debate sobre patrimônio, memória e ciência no Brasil. Ele relata que a participação no programa ocorreu logo após o lançamento do documentário e que a visibilidade nacional ajudou a colocar a Serra do Roncador no mapa de discussões culturais e científicas, atraindo interesse de pesquisadores e curiosos e reforçando a ideia de que documentários regionais podem provocar diálogos importantes entre saberes locais e acadêmicos.
