Wilmar Jorge Accursio fala sobre o envelhecimento



Accursio apresenta sua formação e sua atuação como endocrinologista voltado para o estudo do envelhecimento, situando o público sobre a missão da Sociedade Brasileira para Estudos do Envelhecimento e sobre a importância de integrar pesquisa, clínica e educação para lidar com as demandas de uma população que vive mais tempo. Ele descreve o perfil das doenças que acompanha — como diabetes, distúrbios da tireoide e alterações hormonais — e ressalta que, diferentemente de muitas doenças infecciosas, essas condições não costumam ser curadas, mas administradas ao longo da vida, exigindo acompanhamento contínuo e decisões clínicas individualizadas para preservar qualidade de vida.



No desenvolvimento da conversa, o médico aprofunda o tema da reposição hormonal, explicando quando ela é indicada e quais são os riscos e benefícios que devem ser ponderados entre médico e paciente. Accursio enfatiza que a reposição não é uma panaceia para o envelhecimento e que sua indicação depende de avaliação clínica rigorosa, exames e acompanhamento; ele alerta contra o uso indiscriminado motivado por modismos ou promessas de rejuvenescimento fácil, destacando a necessidade de evidência científica e de critérios claros para iniciar tratamentos hormonais. Ao comentar casos práticos, ele também aborda a importância da prevenção e do manejo de comorbidades, mostrando que o enfoque do especialista em envelhecimento é tanto curativo quanto preventivo, com ênfase em manter funcionalidade e autonomia dos pacientes.

No encerramento, Accursio amplia a reflexão para políticas de saúde e educação da população sobre envelhecimento saudável, defendendo investimento em programas de prevenção, capacitação de profissionais e comunicação responsável sobre riscos e benefícios de intervenções médicas. Ele sublinha que a longevidade traz desafios sociais e sanitários que exigem respostas multidisciplinares — envolvendo nutrição, atividade física, suporte psicossocial e atenção primária bem estruturada — e conclui que a medicina do envelhecimento deve priorizar qualidade de vida e decisões baseadas em evidências, evitando promessas simplistas e promovendo um diálogo transparente entre médico, paciente e família.