Carlos Prazeres criou uma orquestra na Favela da Maré



O maestro Carlos Eduardo Prazeres esteve no palco ao lado do apresentador Jô Soares para falar sobre o projeto social e musical “Orquestra Maré do Amanhã”, uma iniciativa que ele criou para oferecer aulas de música e formação orquestral a crianças e adolescentes da Favela da Maré, um dos maiores e mais carentes complexos de favelas do Rio de Janeiro. No bate-papo, Prazeres contou que o projeto começou em 2010, com poucos recursos e sem instrumentos suficientes para todos, mas com muita vontade de transformar realidades por meio da música clássica e da educação artística. Ao longo dos anos, essa orquestra cresceu significativamente e passou a atender mais de trezentas crianças e jovens, muitos dos quais hoje vêem a música não só como um aprendizado cultural, mas como uma poderosa ferramenta de inclusão e mudança de vida.



Durante a conversa com Jô Soares, Prazeres explicou como a ideia surgiu e o impacto social que ela tem gerado dentro da comunidade da Maré, onde muitas famílias enfrentam carências materiais e convivem com altos índices de violência e poucas oportunidades para os jovens. Ele falou com orgulho sobre o engajamento dos alunos, trazendo ao programa alguns jovens que participam da orquestra e destacando como a música ajudou a ampliar horizontes para eles: ao aprenderem instrumentos como violino e flauta, esses adolescentes puderam experimentar algo novo e profundamente positivo em suas vidas, despertando disciplina, autoestima e senso de pertença. Nas falas trazidas ao público, ficou claro que a orquestra não é apenas um projeto cultural, mas também uma iniciativa de transformação social e educação.

A entrevista também destacou a perseverança de Prazeres diante das dificuldades iniciais — sem apoio financeiro e com poucos instrumentos — e sua crença de que o potencial de cada jovem deveria ser valorizado, independentemente de sua origem social. Ao relatar histórias pessoais e depoimentos dos próprios participantes, ele sublinhou como a música pode ser uma forma de empoderar crianças e adolescentes, dando-lhes um propósito produtivo e abrindo portas que, de outra forma, poderiam jamais se revelar. O momento no programa trouxe à tona uma reflexão inspiradora sobre arte, inclusão e o papel da educação cultural em comunidades carentes, mostrando que iniciativas assim podem promover mudança concreta na vida dos jovens e na dinâmica social de áreas com poucos recursos.